segunda-feira, 19 de janeiro de 2015


SOBRE CONTO DE FADAS
E SUAS MENTIRAS
Parece que esqueceram de nos contar que os príncipes não são tão bonzinhos como aparentam. Afinal, se eles fossem tão perdidamente apaixonados, por que o “boy” da Cinderela não se lembrou do rosto dela? Foi preciso toda aquela história ridícula do sapatinho... Ora, por favor, que tipo de amor é esse que nos ensinaram?
Desde muito cedo que nos é empurrado de goela abaixo a ideia de uma amor perfeito, revestido de floreios , lirismos, suspiros demorados e borboletas no estômago.
As meninas vão crescendo e têm como referência primordial as princesas: Dotadas de sutilezas , sentimentos não ditos e uma imbecilidade romântica quase ridícula. Há garotas tão doces, bonitas e gentis por ai que realmente chegam a se assemelhar com uma, porém não é difícil achá-las chorando pelos cantos por um ‘’sapo’’.
Para Pilar Sordo, escritora e psicóloga chilena, aprendemos com os contos de fadas que os homens nos dão a vida, que a nossa felicidade está intimamente ligada ao fato de acharmos nosso príncipe encantado, mas parece que esqueceram de nos contar que os príncipes não são tão bonzinhos como aparentam. Afinal, se eles fossem tão perdidamente apaixonados, por que o “boy” da Cinderela não se lembrou do rosto dela? Foi preciso toda aquela história ridícula do sapatinho... Ora, por favor, que tipo de amor é esse que nos ensinaram?
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(Tudo bem, talvez a analogia tenha sido péssima, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. )
Acontece, que as mulheres crescem e a visão dos marmanjos, passada por meio da literatura, nunca é tão real. As cantigas barrocas de amor são tão fictícias quanto desfecho de novela das nove. No Romantismo , José de Alencar que me perdoe , mas nunca vi ninguém que fosse tão maravilhoso como Paulo! O Realismo, de fato, trisca o real, mas ainda não é capaz de definir a complexidade dos exemplares do sexo masculino que andam entre nós.
No Soneto da Fidelidade Vinicius diz:
Eu possa me dizer do amor (que tive):Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.
E talvez ai esteja um modelo de poesia consciente. Que o “ felizes para sempre” só seja infinito enquanto durar.
No fim, definitivamente, o erro não está nesse estereótipo masculino criado, não está na boa imagem dos príncipes, nem nas juras amorosas de Shakespeare. O erro está em nós, que insistimos em acreditar que o homem perfeito é o de conto de fadas.
Não sei vocês, mas eu prefiro acreditar que Romeu não existe e encarar um realidade em que o caráter, o respeito, a beleza mediana – com seus charmes particulares- e o amor construído através dos erros e acertos, vale mais que um cavalo branco.