terça-feira, 24 de março de 2015


“Glee” chega ao fim: foi fácil ver uma série Linda que ajudou tantas vidas difíceis
Depois de pouco mais de seis anos no ar, “Glee” finalmente exibiu o seu episódio final na noite de ontem nos Estados Unidos. Em duas horas, a série mostrou como os integrantes do “New Directions” se conheceram (foi impagável ver os atores com o mesmo visual do início da série em 2009) e, claro, o desfecho de cada um deles.
A gente não vai se ligar em spoilers e nem colocar a sinopse da série porque não precisa, né? Acho que todo mundo aqui já viu pelo menos um episódio de “Glee” e sabe muito bem do que a série falava.
Eu tinha 16 anos quando conheci Rachel Berry, Finn Hudson, Kurt Hummel e companhia em 2009. 16 é aquela época em que você está no ensino médioe gostaria de ir pra qualquer lugar, menos para a escola, sabe?
Sempre tem o cara que é mais bonito que você, o idiota que te provoca todos os dias e faz questão de apontar todos os seus defeitos na frente de todo mundo, aquela turma de “populares” que acredita que não existe vida fora da escola, a turma que arrasa na aula de educação física… O que pode ser facilmente confundido com o enredo da série é. basicamente. a vida de qualquer estudante comum. E foi a partir daí que eu oficialmente me apaixonei por Glee”.
“Glee” foi uma série fácil e gostosa de se ver, que não só me ajudou a me enxergar melhor, como também ajudou muita gente a encarar seus problemas de frente (fosse na escola, no trabalho, em casa…).
Era fácil ver o Kurt, vivido brilhantemente por Chris Colfer, e se identificar. Com 16 eu não sabia que era gay. Ou sabia, mas não queria aceitar para não ter que lidar com toda a pressão. Vocês entendem, né? Enfrentar a família, os amigos, a sociedade em geral. Nunca é uma decisão fácil.
Era fácil também ver a Rachel (Lea Michele), que era muitas vezes taxada de insuportável, mandona e egocêntrica, mas só queria que tudo funcionasse perfeitamente para poder, finalmente, fazer sucesso e parar de ser motivo de chacota na escola.
Era fácil ver o Finn (Cory Monteith), que sempre lutou por respeito, aMercedes (Amber Riley), que sofria por ser chamada de gorda, a Quinn (Dianna Agron), que fez cirurgia plástica para se sentir melhor, a Tina (Jenna Ushkowitz), o Artie (Kevin McHale), o Blaine (Darren Criss)… Era fácil se identificar com “Glee”, pois os personagens davam vida a todas as inseguranças que todo adolescente de 16 anos enfrenta. E acreditem, isso fez uma diferença enorme na maneira em que eu comecei a enfrentar a vida.
Três anos depois, inspirado por um sonho, eu deixei uma cidade pequena em Minas Gerais. Vim parar em São Paulo. Hoje eu já conheci ídolos de uma vida, tenho amigos incríveis, trabalho no Papelpop (que sempre fui um grande fã) e não tenho o menor medo de ser quem eu sou. Pelo contrário, eu me orgulho muito do que me tornei.
“Glee” foi uma jornada deliciosa. Acompanhar todos aqueles personagens amadurecendo e mostrando que o caminho pode ser difícil, mas não impossível, foi maravilhoso. A gente teve um episódio só com músicas daMadonna, outro sobre o legado de Britney Spears, Lady Gaga sendo homenageada, as versões incríveis de músicas da Beyoncé, vimos o elenco cantar músicas que conseguiram ficar ainda mais incríveis que suas versões originais, choramos MUITO e rimos quase na mesma proporção.
A série se perdeu no meio? Sim! Muita gente deixou de assistir quando o elenco original “se formou” e novos rostos começaram a tomar conta dos corredores da William McKinley High School. Alguns também não entenderam participações especiais que não fizeram sentindo algum na história como as de Adam Lambert e Demi Lovato e outra parte do público também desligou a TV quando o Cory Monteith, tragicamente, faleceu em 2013. Aliás, é melhor a gente nem entrar nesse assunto…
Com tantos acontecimentos, os roteiristas da série demoraram a entrar nos trilhos e encontrar um novo rumo aos personagens. A série precisava de “new directions” (rá). Acompanhamos por uma temporada inteira a desastrosa aventura de Rachel Berry por Nova York, até que finalmente os autores perceberam que o que a gente queria ver era o básico: os personagens de volta à escola e cantando músicas incríveis que a gente nem imaginava que existiam. Sério, gente. Eu descobri tanta música legal através de “Glee”.
Na sexta e última temporada, a série voltou aonde tudo começou e nos premiou com uma safra de 13 episódios incríveis e aquela sensação de dever cumprido.

(A cena final do último episódio de “Glee”)
Foram milhares de CDs vendidos, duas turnês esgotadas, uma audiência estabilizada e, muito mais do que isso, um impacto que pouquíssimos programas de TV conseguiram causar na sociedade.

Impacto em que eu me coloco de exemplo. “Glee”, em sua própria definição, é sobre se abrir para a alegria e foi exatamente o que eu fiz.
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“Fazer parte de algo especial, te torna especial”, disse Rachel Berry em um dos primeiros episódios da série, e eu realmente não poderia concordar mais.
glee