quinta-feira, 9 de abril de 2015


3 lições que Beyoncé
Aprendeu com Lady Gaga
Aqui vai algo que poucos fãs admitirão, mas antes das colaborações em conjunto a Lady GaGa, a carreira deBeyoncé era, digamos, básica.

Nesse post, destrincharei três lições que a atual trendsetter da cultura POP aprendeu com Lady GaGa, e passou assim a ser um ícone gay, feminista, e de tecnologia, marketing e moda.

Videoclipe


Lady GaGa e Beyoncé até então fizeram duas colaborações juntas em vídeo: o épico "Telephone" e "Videophone". Feita pela produção e equipe de Beyoncé, não é coincidência que "Videophone" seja um vídeo ruim e limitado - feito quase todo em chroma key, assim como grande parte dos vídeos da carreira da cantora, esse exibe GaGa eQueen B dançando com armas, como caçadoras de recompensa. Por sua vez, "Telephone", dirigido por Jonas Akerlund (famoso diretor que já trabalhou com Madonna na versão censurada de "American Life") é uma obra-prima sofisticada, orientada pelo cinema de Quentin Tarantino, com tomadas externas e takes rápidos. Depois desse videoclipe, Beyoncé elevou a produção de sua imagem ao máximo e passou a colaborar com grandes diretores, estilistas e fotógrafos - entendo assim a importância de produções audiovisuais estilizadas como as de Lady GaGa. Beyoncé chegou a repetir a dose com Jonas Akerlund no vídeo de "Haunted", um dos melhores do seu álbum mais recente.

Estratégia de Marketing


Se em 'ARTPOPLady GaGa falhou com uma divulgação massiva na internet e em plataformas de televisão,Beyoncé monopolizou o iTunes por alguns dias e fez com que seus ouvintes só conseguissem baixar seu álbum se pagassem pelo conteúdo, ou melhor, pela experiência completa, oferecendo um pacote de vídeos experimentais para cada faixa do disco. Dispensando programas de televisãoBeyoncé elevou o nível e só fez performances de suas músicas em sua turnê com o marido, Jay-Z e outra no palco do Grammy. A capa, desenhada por Todd Tourso, também reflete o 'minimalismo' do projeto: usou uma fonte semelhante às dos placares de lutas de boxes para representar a masculinidade abrasiva; isso foi contrastado pela fonte rosa-acinzentada, descrita por Tourso como "uma subversão da feminilidade". Outro grande trunfo do projeto audiovisual foi o elemento surpresa. Ao contrário do que fazem a maioria das estrelas POP, Beyoncé não revelou datas de divulgação, mas lançou o disco em uma madrugada qualquer. O processo de segurança foi tamanho que nas tomadas externas nos Estados Unidos, toda sua equipe usava fones intra-articulares ao invés de tocar a música alta.

Sororidade e Feminismo


Existe uma propaganda anti-feminismo muito forte em todos os âmbitos da nossa cultura. Somos ensinados a rechaçar mulheres e tudo aquilo que moldamos como 'feminimo'. Se existem garotas que são hipersexualizadas a fim de produtores obterem lucros exorbitantes, Beyoncé prova que uma mulher madura, casada e com filhos ainda pode ser sensual - mesmo que a sensualidade seja uma criação de enclausuramento do patriarcado. Em "Flawless", a cantora incluiu trechos de uma palestra da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Existe um mito de que mulheres apenas podem competir entre si, e talvez com a ajuda e colaboração de Lady GaGa, ela tenha quebrado isso: a sororidade é justamente isso, a força entre duas mulheres, o companheirismo, empatia, a compreensão do que é ser mulher. A importância de Beyoncé se assumir como feminista é muito grande: como movimento filosófico, muitas vezes essa ideologia só atinge mulheres brancas, acadêmicas e de classe alta, como ícone POP, Beyoncé pode horizontalizar os temas e pautar as questões, que são diversas. Vale também lembrar que no vídeo de "Telephone" as duas assumem uma estética de pós-feminista (típica de Lady GaGa, vide "Paparazzi" e "Bad Romance") de irmandade entre mulheres, assassinando vários homens em um restaurante. Ainda sobre "Flawless", a artista depois contaria com versos de rap da companheira Nicki Minaj, levando-a para os palcos de sua turnê.

No desenvolvimento do projeto audiovisual são notáveis também várias referências a outras artistas POP, comoMadonna, a quem Beyoncé prestou verdadeiras homenagens, o ritmo de Tina Turner, e as coreografias militares e sincronizadas de Janet Jackson.


Long live to the Queen B!