segunda-feira, 18 de maio de 2015


Cientistas descobrem 
Como \”desligar\” a fome
fome cérebro
Se você está com dificuldades para se manter em uma dieta, um novo estudo diz que você pode provavelmente culpar algumas células sensíveis a fome que ficam em seu cérebro. Elas são conhecidas como neurônios AGRP. De acordo com novas experiências, esses neurônios são responsáveis ​​pelos sentimentos desagradáveis ​​que fazem com que as comidas sejam tão irresistíveis para a gente.

Fome associada a emoções negativas

As emoções negativas associadas com a fome podem tornar praticamente impossível a tarefa de se manter uma dieta e perder peso. Isso não é novidade para ninguém, certo?
A novidade é que, segundo Scott Sternson, um dos líderes do estudo que chegou a essa descoberta, o que pode explicar essa dificuldade toda são os neurônios AGRP. Em um ambiente onde o alimento é facilmente disponível, o seu sinal de ignorar pode parecer um aborrecimento, mas a partir de um ponto de vistaevolutivo, ele faz sentido.
Para versões anteriores de humanos ou animais em estado selvagem, perseguir comida ou água poderia significar uma aventura em um ambiente de risco, o que poderia exigir algum incentivo. O que Sternson e sua equipe de pesquisa acreditam é que esses neurônios impõe um custo por não lidar com suas necessidades fisiológicas, já que se alimentar implica na manutenção da espécie.

Neurônios AGRP dão fome?

Não exatamente. Os neurônios AGRP não obrigam um animal a comer, mas sim o ensinam a responder a estímulos sensoriais que sinalizam a presença de alimentos. Outra suspeita dos pesquisadores é que esses neurônios sejam um sistema motivacional rudimentar, que funciona para forçar um animal a satisfazer as suas necessidades fisiológicas. Sendo assim, parte da nossa motivação em procurar comida estaria em “acalmar” esses neurônios.
A fome afeta quase todas as células do corpo, e vários tipos de neurônios são dedicados a dar essa força para que os animais comam, especialmente quando os níveis de energia estão muito baixos.

O corpo quer comida pra ser feliz

Em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram que os neurônios que “dão fome” proporcionam sentimentos positivos associados com os alimentos. Em outras palavras – não surpreendentemente – a fome faz comida ter gosto melhor.
Alguns cientistas haviam suspeitado de suas ideias sobre um sinal negativo no cérebro ser o responsável por motivar a fome. Mas não é que isso esteja errado. O conhecimento deles estava apenas incompleto.

Fome de saber mais

Os neurônios AGRP, localizados em uma área de regulamentação do cérebro conhecida como hipotálamo, se mostraram claramente envolvidos em comportamentos alimentares. Quando o corpo carece de energia, os neurônios AGRP se tornam ativos, e quando os neurônios AGRP estão ativos, os animais comem.
Mas ninguém ainda havia investigado a estratégia dessas células para gerar essa motivação.
Conforme detalhado pelos pesquisadores Nicholas Betley e Zhen fang Huang Cao, essa questão começou a ser abordada com uma série de experimentos comportamentais. Na primeira bateria de experimentos, eles ofereceram a ratos bem alimentados dois géis com sabor – um de morango e outro de laranja. Nenhum gel continha quaisquer nutrientes, mas os ratos provaram os dois.
Então, os cientistas “manipularam” os sinais de fome nos cérebros dos animais, alternando neurônios AGRP enquanto eles consumiam um dos dois sabores. Em testes subsequentes, os animais evitaram o saborassociado com o sinal de fome falsa.

O caminho inverso

Em uma experiência inversa, os cientistas “desligaram” os neurônios AGRP enquanto animais famintos consumiam um sabor particular de gel. Os animais desenvolveram uma preferência pelo sabor que levou ao silenciamento de neurônios AGRP, sugerindo que eles foram motivados para desligar o sinal desagradável das células.
Em outras experiências, os cientistas descobriram que os ratos também aprenderam a procurar lugares em seu ambiente onde os neurônios AGRP tinham sido silenciados e evitar lugares onde as células estavam ativas.
Em seguida, o pesquisador Shengjin Xu usou um minúsculo microscópio móvel para olhar dentro dos cérebros de ratos com fome e monitorar a atividade dos neurônios AGRP. Como esperado, as células estavam ativas até que os ratos se alimentassem.

Comer com os olhos?

O que foi surpreendente, de acordo com o pesquisador Sternson, é que os ratos não tinham realmente que comer para acalmar os neurônios. Em vez disso, as células cessavam a atividade logo que um animal via o alimento – ou mesmo um sinal de que havia alguma coisa pra comer por perto. E sua atividade manteve-se baixa enquanto o animal estava comendo.
Isso não faria sentido se o trabalho dos neurônios AGRP fosse fazer o gosto do alimento ser melhor ou se eles controlassem diretamente as ações individuais que envolvem o ato de comer, que eram duas das possibilidades, segundo Sternson.
A equipe mais tarde realizou experiências semelhantes nas quais manipularam neurônios sensíveis à sede, em vez de neurônios AGRP. Esses neurônios comportaram-se de forma semelhante: animais evitaram locais onde eles tinham ficado ativos, indicando que as células geram um sentimento negativo.
Mais uma vez, os resultados foram consistentes com a experiência cotidianas e os pesquisadores concordam que há uma qualidade motivacional semelhante nos estímulos de fome e sede – que se justificam ambos com a sobrevivência da espécie.