sábado, 9 de maio de 2015


Como estudar para as provas 
E melhorar suas notas
Estudo psicológico aponta que resumos e grifos não são muito efetivos. Distribuir conteúdo e fazer testes práticos são melhores opções.
Na hora dos estudos, manter a concentração pode ser difícil. Como estudar e realmente apreender os conteúdos? Releitura, grifos, alternância entre matérias… Com diversas formas de se preparar para o Enem, o Educação organizou uma lista, baseada na pesquisa dos norte-americanos do Psychological Science in the Public Interest, que avaliaram a efetividade de dez formas de estudo.

1. Utilidade baixa
 Grifos
Os pesquisadores concluíram que grifar textos está longe de ser a melhor forma de fixar o conteúdo, pois não exige esforço. Quando marcam textos, os estudantes não estão conectando ou criando conhecimento. A popular forma de estudo também apresenta outro problema: a dificuldade em definir o que é realmente essencial em uma matéria. Na hora dos estudos, sublinhar e marcar demais confunde mais do que ajuda.
Simples, mas pouco efetivo (Foto: Techtudo / G1)Simples, mas pouco efetivo (Foto: TechTudo)





 Visualização ou associação com imagens
Muitos cursinhos preparatórios defendem a conexão entre imagens e textos, mas - segundo a pesquisa - o resultado não é satisfatório quando se trata de textos longos. Ainda assim, os psicólogos americanos afirmam que o método ajuda na memorização de imagens.
Um ponto negativo é que a transformação de imagens mentais em desenhos limita a imaginação. Muitos estudantes que leram textos não conseguiram inferir algo além do próprio texto quando criavam seus mapas mentais. O estudo conclui que a visualização não é tão efetiva para se chegar a conhecimentos que não estão explícitos.
Mapa mental (Foto: UFRJ)Mapa mental (Foto: UFRJ)

 Resumos
Engana-se quem pensa que resumir tudo é a melhor forma de estudar para o vestibular. O estudo provou que, para as provas escritas, resumos podem até ser efetivos. No entanto, para provas objetivas, como o Enem, a utilidade é mínima, apesar de ainda ser melhor do que grifar textos. Intuitivos, os resumos são a forma mais imediata de diminuir conteúdos muito extensos. Mas é preciso estar alerta na hora de resumir, principalmente quando não se tem prática, pois pontos importantes podem ser perdidos.

Literatura: Estude com resumos completos e contextualizados de clássicos literários

Releitura
Lendo e relendo (Foto: Reprodução/Tumblr)Lendo e relendo (Foto: Reprodução/Tumblr)
Apesar de o fato de apenas reler um conteúdo ser visto como pouco efetivo, a análise afirma que a releitura massiva (ler por seguidas vezes) é mais útil do que resumos e grifos, praticados no mesmo intervalo de tempo. No entanto, a prática ainda é de baixa utilidade. Mas isso não significa que você não possa ler e reler trechos para facilitar a compreensão de um assunto. Quando há um interesse muito forte por um assunto, os estudantes relêem sem notar.

 Mnemônicos
Mnemônico significa "algo relativo à memória" ou "que serve para facilitar a memorização". O modo de estudo mnemônico consiste em criar códigos ou palavras-chave para facilitar a memorização de algum assunto. Por exemplo, o famoso "Minha Velha, Traga Meu Jantar:Sopa, Uva, Nozes e Pão", mnemônico utilizado para decorar a ordem dos planetas do Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão (este último perdeu status de planeta em 2006, segundo a União Astronômica Internacional).
Apesar de ser um pouco mais elaborado do que grifos, a Psychological Science in the Public Interest afirma que há muitos assuntos em que palavras-chave não são a solução. Como explicar um processo histórico através desses códigos? A utilidade dos mnemônicos é melhor em casos específicos e em poucos momentos antes de colocar os conhecimentos em prática.

2. Utilidade moderada
 Estudo intercalado de diferentes conteúdos
A rotação de matérias pode trazer bons resultados para quem vai fazer o Enem. A pesquisa concluiu que é mais efetivo estudar intercalando diversos conteúdos do que estudar vários tópicos de um mesmo assunto de uma só vez. Além de evitar a saturação sobre um assunto, você conseguirá estudar por mais tempo.
O estudo intercalado também facilita a correlação entre as matérias. O Enem lida com a interdisciplinaridade, ou seja, questões sobre aliadas a gráficos e tabelas, envolvendo mais de uma disciplina. Intercalar os conteúdos é mais efetivo do que qualquer releitura.
Com a resistência de grande parte dos jovens em relação à leitura de jornais e livros, o telejornal pode ser muito útil no estímulo a debates entre alunos e professores. Renato Pellizzari, coordenador do pré-vestibular do Colégio Qi, diz que - além de um estudo semanal contínuo - é importante que os candidatos ao Enem assistam a telejornais, porque é uma forma de ficar por dentro das atualidades. Pellizzari frisa, no entanto, que a leitura também deve estar presente no cronograma de preparação para as provas.
Jornal Hoje: Fique por dentro do que rola no mundo de uma forma leve e dinâmica
Intercalar é melhor (Foto: Ministério da Cultura)Intercalar é melhor (Foto: Ministério da Cultura)








 Autoexplicação
Uma forma popular e efetiva é a autoexplicação. Durante o estudo de um conteúdo, é bom tentar explicá-lo a si mesmo, com suas próprias palavras. Explicar sem "decoreba" ajuda a fixar o assunto, em especial os mais abstratos.
Deixar a autoexplicação para depois do estudo não é recomendado, porque é mais fácil esquecer as informações, o que pode comprometer sua explicação e - consequentemente - o seu entendimento.
 Elaboração de perguntas
Esse método consiste em desenvolver explicações para que determinados fatos do texto sejam verdadeiros. Segundo o estudo, tentar descobrir o porquê das coisas faz o cérebro se esforçar mais. No entanto, você deve saber minimamente sobre o tema que está estudando, para questioná-lo de forma inteligente. Nos estudos, é bom descobrir a origem e causas dos acontecimentos. A elaboração de perguntas é muito útil na preparação para redações e questões discursivas.
3. Utilidade alta
Teste prático
Uma das melhores maneiras de aprender é fazendo testes práticos. Exercícios são até duas vezes mais eficazes do que as outras formas de estudo, principalmente para as áreas exatas. Fica mais fácil aprender um conteúdo com questões de múltipla escolha, preenchimento de lacunas, verdadeiro ou falso, entre outros.
Na preparação para o Enem, é interessante fazer as provas anteriores. Aprender com baterias de exercícios também é muito útil. Tanto no final, quanto durante a aprendizagem de conteúdos, é bom resolver questões práticas. Com mais exercícios, dúvidas e soluções vão surgindo.
Renato Pellizzari, que também leciona História no Colégio Qi, defende que os exercícios práticos são fundamentais, mesmo em áreas humanas, pois o vestibulando precisa testar seus conhecimentos e saber como ele desenvolve o que foi estudado. O professor afirma que o autoquestionamento também é efetivo: "além da escola, é interessante que o aluno estude sozinho em casa, formule questões e tente resolvê-las."
Mergulhe de cabeça nos simulados (Foto: Extra / Globo)Mergulhe de cabeça nos simulados (Foto: Extra / Globo)


Enem 2013: Estude pelas questões com gabaritos comentados
Prática distribuída

Essa forma de estudo consiste em programar um cronograma de estudos ao longo do tempo, em vez intensificar toda a matéria na véspera da prova. A pesquisa afirma que é mais útil estudar uma matéria dividida em pequenos períodos ao longo do dia do que estudar por muitas horas seguidas. Dessa forma, além de descansar o corpo e a mente, você terá contato com o conteúdo em vários momentos do dia, o que ajuda na memorização e entendimento. Essa é considerada a melhor técnica de estudos.

Educação: Como fazer uma redação que atenda às competências do Enem?
Para obter um resultado positivo no Enem, é importante dar atenção à redação. Como a elaboração textual é responsável por 20% da nota final do candidato, um bom desempenho pode garantir uma vaga no curso desejado. Para mandar bem ao escrever, a dica de Mario Fumanga, professor de Redação para Concursos Públicos e Vestibulares, é investir em uma leitura diversificada. "Não só jornais, como também textos clássicos", afirma Fumanga. O tema "Empreendedorismo e liderança" é uma das apostas do professor para o Enem 2014, inclusive, por estar ligado ao processo de gestão de empresas. Criatividade também é essencial para uma redação nota mil.

Organize seus horários e escolha as melhores técnicas, de acordo com a sua rotina. Lembre-se de que, independente de pesquisas, cada estudante tem o seu ritmo. O ideal é experimentar muitas possibilidades e ver quais métodos de estudo são mais úteis para suas necessidades.