sexta-feira, 29 de maio de 2015


LEMBRE-SE DE QUE ÉS MORTAL
E se você não existisse, que falta faria?
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Em tempos de neoliberalismo, fincado em pilares do individualismo e da competitividade, perde-se o essencial. Disputa-se status, dinheiro, poder, inflamação de ego. Perde-se tempo. Nessa lógica robotizada e alienada, o ser humano vive como se fosse imortal. Esquece de uma verdade inexorável e fundamental: iremos morrer!
Steve Jobs, em um discurso na Universidade de Stanford em 2005, alertava também sobre a finitude da vida e da importância de não perder tempo vivendo a vida do outro. O poeta Fernando Pessoa afirmava que o ser humano é um cadáver adiado. E se voltarmos ainda mais no tempo, veremos que Benjamin Disraeli, 1º ministro da Rainha Vitória, afirmava que a vida é muito curta para ser pequena.
Da última frase, Mario Sérgio Cortella reflete que não devemos apequenar o que já é pequeno. Ou seja, deve-se engrandecer a vida - que já é pequena - com atos que não sejam banais ou fúteis, acreditando que uma vida que não seja pequena, pauta-se na construção da coletividade e na transcendência do próprio eu. Ou seja, a vida é muito curta para apenas concretizar anseios individuais, esquecendo do Outro e da sociedade.
Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, afirma que o essencial é invisível aos olhos. Mas como perceberemos, então, o que é essencial? Talvez a noção da finitude da vida e a compreensão de que as coisas passam, ajude a procurar a resposta dessa pergunta.
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. O seu status, o seu dinheiro, o seu poder, o seu cargo de chefe em uma grande multinacional também passa. A sua classificação como melhor aluno da sala também passa. A fama também passa. As suas alegrias também passam. Os seus laços de amizade também mudam. A maneira como você vivencia o amor também muda. As preocupações que você achava que eram grandes, também se dissolvem de repente. Os seus sentimentos, problemas, vitórias, angústias, medos, prazeres, cargos sociais passam. As pessoas passam, os momentos passam, a vida passa. E só olhar o cemitério. E esse texto também está passando.
E de todas essas experiências ficam algumas questões: o que é essencial para sua formação como pessoa? O que é essencial para sua contribuição com a sociedade? O que é essencial para reconhecer-se no Outro? O que é essencial para ser feliz e para fazer alguém feliz?
O que você faz para que a vida que já é curta, não ser pequena?