domingo, 17 de maio de 2015

SOBRE OS OLHARES
Mesmo mudos, os olhos revelam o que há de mais belo e de mais insano nas pessoas.

Olhares.jpg
Sinceros, tímidos, apaixonados, brilhantes ou cheio de lágrimas. Para quem se atenta, os olhares falam muito mais do que qualquer boca, mesmo as mais conversadoras. E entender o que eles dizem é tão fundamental quanto compreender qualquer palavra, em todo tipo de diálogo. Os olhos não mentem, embora vez ou outra fujam ou se escondam. Naquela íris e naquela pupila estão todas as dores, glórias e emoções de qualquer pessoa.
Mas olhar nos olhos dá um medo enorme. Olhares são abismos e enxergá-los é mergulhar sem pensar duas vezes. É entender que bem ali, na sua frente, há uma história, que como a sua, é repleta de incertezas, devaneios, inquietudes e solidões. Encarar um olhar é se atentar a emoções e medos que não lhe pertencem, mas que você aceitou conhecer e fazer parte.
Não se trata daquela questão de comunicação corporal. Os olhos falam de outra forma. Não são desejos do inconsciente, mas sim da alma. E para conversar com os olhos não é preciso existir uma conexão anterior já estabelecida. Não precisa ser um diálogo em silêncio entre namorados, pais e filhos ou amigos de longa data.
Os olhos daquela senhora com quem você cruza indo trabalhar; os do padeiro e os daquela garota com quem você sempre quis falar, mas nunca teve coragem, também estão repletos de histórias e sentimentos, que por não caberem em parte alguma do corpo, transbordam justamente dos olhos.
É tudo muito simples, extremamente sutil. E talvez por isso seja tão difícil notar. As complexidades criadas pelo homem geraram barreiras para os relacionamentos. São muros enormes, quase inquebráveis, mas ainda assim facilmente derrubados por um olhar.