domingo, 14 de junho de 2015

10 estudos científicos que respondem
Questões muito específicas e bizarras
A ciência não cansa de colaborar com o avanço da humanidade. Mas, às vezes, as perguntas que motivam alguns de seus estudos podem ser um tanto bizarras e, como você vai ver nos exemplos a seguir, um tanto inúteis. Abra sua mente e lembre-se: todo tipo de conhecimento é bem-vindo. 

10. As pulgas de cachorros pulam mais alto que as pulgas de gatos?

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Parece que a rivalidade entre cães e gatos extravasou para suas pulgas, e essa pergunta seguiu sem resposta durante anos. Até que, no ano 2000, uma equipa de pesquisadores da Escola Nacional de Veterinária de Toulouse resolveu colocar um fim nessa questão, descobrindo a resposta de uma vez por todas. Para isso, eles colocaram pulgas da espécie Ctenocephalides felis (pulga de gato) e Ctenocephalides canis (pulga de cachorro) em tubos de plástico separados e contaram quantas conseguiram saltar para fora. Os tubos começaram com 1 centímetro de altura cada e, em seguida, foram gradualmente aumentando de 1 em 1 centímetro. Quem você acha que ganhou essa competição?
Vou acabar logo com esse mistério: as pulgas de cachorro definitivamente levaram a melhor. A altura média que conseguem saltar é de 15,5 centímetros, em comparação com 13,2 centímetros das pulgas de gato.
A melhor pulga do time dos cachorros alcançou a incrível marca de 25 centímetros, enquanto o detentor do recorde da pulga de gato reuniu míseros 17 centímetros. Com isso, foi colocado um ponto final definitivonessa questão, para nunca mais ser discutido novamente… Até outra equipe ter a brilhante ideia de pesquisar as habilidades de salto de nada menos que sete diferentes espécies de pulgas em 2003.
Mas uma coisa é certa: se você está em dúvida entre ter um cachorro ou um gato, essa questão das pulgas pode ser um fator de desempate. Talvez seja melhor um gato, porque suas pulgas não vão muito longe – o que tornaria mais fácil eliminá-las.

9. As coisas parecem menores quando você se inclina para a esquerda?

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Está aí o tipo de pergunta que você provavelmente nunca se questionou: será que uma construção parece menor se eu olhar para ela com a cabeça inclinada para a esquerda? Bom, é para isso que os cientistas existem: para encontrar perguntas até nos lugares mais absurdos. E, claro, respondê-las.
Para essa questão nada menos que bizarra, algumas pessoas muito espertas da Universidade Erasmus, em Roterdã, inventaram uma maneira inteligente de encontrar uma resposta. Eles convidaram 91 alunos de graduação para ficar em uma Wii Balance Board (uma balança com sensores de pressão que permite que o usuário do videogame pratique diversas atividades físicas), e então pediram para que estimassem quantidades diferentes que iam desde as populações de cidades até alturas dos edifícios. Por trás dos bastidores, e sem os alunos saberem, os pesquisadores manipularam a balança para fazer com que os participantes ficassem em linha reta ou se inclinassem ligeiramente para a esquerda ou para a direita ao fazerem as estimativas. Ao analisar os resultados, os pesquisadores chegaram à hipótese de que tendemos a visualizar os números ao longo de uma linha invisível, com números menores quando estamos inclinados para a esquerda e maiores quando estamos inclinados à direita.
Isso tudo pode parecer teoria e pergunta de criança, mas como você pode ver, há um fundo de verdade.

8. Que força é necessária para arrastar uma ovelha em diferentes superfícies?

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Tosar ovelhas, como muitos outros tipos de trabalho, envolve alguns riscos. Como, por exemplo, os tocadores mais descuidados podem acabar com os dedos cortados, e as ovelhas podem se tornar agressivas, resistindo em defesa de seus pelos. Outra atividade extenuante e com potencial perigo para a saúde é arrastar constantemente as ovelhas para dentro e para fora das estações de corte. Mas quão difícil é fazer isso, exatamente? Essa é a pergunta pesquisadores australianos decidiram responder em 2002. Lesões relacionadas com essa trabalho entre tosadores de ovelhas australianos foram estimadas em seis vezes maiores que a média – o que faz com que esse estudo não seja totalmente sem sentido.
Para desenvolver o trabalho de pesquisa, 8 tosadores experientes foram convidados para um jogo de arrastar ovelhas. Consequentemente, 5 ovelhas também participaram, embora não tão voluntariamente quanto os profissionais.
Os voluntários, então, começaram a arrastar as ovelhas em três superfícies diferentes – uma de aço, outra de madeira e a última de plástico. As superfícies também tinham diferentes inclinações, para medir a diferença de força necessária para arrastá-las em cada caso. A conclusão foi que a melhor superfície para arrastar ovelhas é uma de madeira estriada, e com inclinação entre 1 em 10 graus. A força necessária para arrastar uma ovelha, neste caso, foi de 359 N, que é 15% menor do que na pior superfície prevista. Equipados com este conhecimento, os tocadores de todos os lugares agora podem refazer seus galpões para minimizar o arrasto e reduzir acidentes em suas equipes.

7. Por que os pica-paus não têm dor de cabeça?

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Os passarinhos pica-paus são conhecidos por sua incrível capacidade de extrair insetos de árvores e também por seu riso contagiante (lembra da abertura do desenho animado?). Mas uma coisa que nunca poderíamos entender é como eles conseguem evitar terríveis enxaquecas, mesmo depois de bicarem troncos e mais troncos, a uma taxa média de 20 vezes por segundo. Como disse um especialista em oftalmologia: “Isso é equivalente a bater de cara em um muro a aproximadamente 25 quilômetros por hora cada uma das vezes”.
Por isso que os pesquisadores decidiram, em 2011, estudar exatamente como pica-paus conseguem evitarlesões cerebrais. Para tanto, eles filmaram bicadas das aves com câmeras de alta velocidade e mediram seu impacto, utilizando um sensor de força especial. Eles também analisaram a estrutura da cabeça do pica-pau e seu efeito em proteger o cérebro dos pássaros. Assim, descobriram que a “morfologia do osso craniano e do bico” são os principais fatores na prevenção de acidentes de impacto.
A verdade é que a natureza é sábia e uma ave que se alimenta por bicadas através de rígidos troncos de árvores foi cuidadosamente construída para resistir aos possíveis danos dessa atividade básica a sua sobrevivência. Demais, não?

6. Os humanos poderiam andar sobre a água?

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Quando ouvimos que Jesus andou sobre a água, cada um de nós teve reações diferentes. Os crentes chamam de milagre, os céticos chamam de uma farsa. Então, em 2003, um grupo de 5 pesquisadores decidiu descobrir se esse feito seria cientificamente possível. Para isso, eles montaram uma experiência que imitava a forma como os lagartos correm pela água. Eles tiveram que fazer isso porque, em circunstâncias normais, os seres humanos são incapazes de correr rápido o suficiente para evitar a quebra da tensão superficial da água (então afundam). Somos simplesmente muito pesados. Mas e se manipulássemos um pouco as leis da gravidade?
O experimento utilizou um aparelho composto por um cinto de segurança e uma piscina infantil para fazer exatamente isso. Os participantes foram suspensos acima da piscina e tentaram correr sobre a água. O cinto, então, foi ajustado várias vezes para simular diferentes níveis de gravidade. Ao final, o estudo concluiu que os seres humanos podem sim, teoricamente, correr sobre a água. No entanto, só podemos fazê-lo em um lugar onde a gravidade é cerca de 10% do que é na Terra, ou seja: em Plutão. Em resumo, para andar sobre a água, tudo que você precisa é de determinação, aptidão física e estar em outro lugar do nosso sistema solar.

5. Qual sabor de comida os cavalos preferem?

Provavelmente não vai surpreender ninguém o fato de que cavalos, assim como as pessoas, não têm o mesmo paladar para alimentos diferentes. Cenouras não têm o mesmo gosto que gelatina, nem para os equinos. Mas, enquanto a maioria de nós está satisfeita em deixar essa questão por isso mesmo, algumas pessoas mais inquietas insistiram em determinar a taxa exata de sabores preferidos dos cavalos.
Para isso, um trio de pesquisadores do Reino Unido organizou uma série de estudos em 2005, onde 8 cavalos sortudos foram alimentados com 15 sabores diferentes de cereais. Os pesquisadores, então, gravaram o quão rápido os cavalos comeram estes sabores e quanto de cada refeição eles deixavam para trás. Isso ajudou os cientistas definirem os 8 sabores favoritos dos cavalos. Em seguida, eles alimentaram os bichos com combinações destes sabores favoritos para classificá-los em ordem de preferência. A classificação final, em ordem decrescente de preferência, ficou assim: feno-grego, banana, cereja, alecrim, cominho, cenoura, hortelã e orégano.

4. Será que as pessoas nadariam mais rápido na água do que no mel?

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A resposta para esta pergunta parece quase óbvia demais. Com sua textura pegajosa e viscosa, o mel parece claramente um fluido terrível para se nadar. Mas, como você bem sabe, a ciência não se baseia em suposições. A ciência faz testes. E, nesse caso, não foi diferente. Em 2004, dois pesquisadores criaram um ambiente especialmente para essa pesquisa, com o objetivo de descobrir a resposta exata para essa inusitada questão, que na verdade parece ser bastante simples.
Adquirir permissão para realizar o experimento foi a parte mais complicada, sendo que exigiu 22 homologações de várias autoridades. Mas valeu a pena, porque o resultado foi surpreendente: os voluntários não tiveram grandes dificuldades em nadar no mel.
16 pessoas nadaram na água e no mel, e seus tempos foram cuidadosamente monitorados e comparados.
Para nossa surpresa, não havia nenhuma diferença mensurável entre as velocidades da água em relação ao mel. Mas como isso é possível? A explicação parece estar no fato de que, enquanto o mel fornece mais resistência para os nadadores, também ajuda a gerar uma dinâmica mais para a frente, meio que empurrando a pessoa contra o líquido mais espesso.

3. As galinhas preferem pessoas bonitas?

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Para nós, a maioria das galinhas são exatamente iguais. Não estamos aptos a distingui-las ou julgar a sua atratividade. Seguindo a mesma lógica, as galinhas conseguiriam reagir a rostos humanos de diferentes graus de beleza? A essa altura do campeonato, você já deve desconfiar que alguém se fez esta pergunta e chegou a uma resposta. Bom, parabéns! Você acertou.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Estocolmo (Suécia) treinou seis galinhas para responder a imagens de diferentes seres humanos. As aves foram presenteadas com rostos humanos (um masculino e um feminino), considerados com uma beleza “média”. Os galos, então, foram recompensados ​​pelo reconhecimento do rosto da mulher, enquanto que as galinhas foram recompensadas ​​por fazer o mesmo para o rosto do homem. Assim, muito em breve, as galinhas aprenderam a reconhecer rostos humanos do sexo oposto, e nesse momento as coisas começam a ficar interessantes.
Cinco rostos foram criados artificialmente a partir de duas imagens originais, manipulando seus traços masculinos e femininos. Estes foram classificados por 14 estudantes de ambos os sexos, a fim de medir o grau de atratividade de cada um. Depois disso, as galinhas tiveram a chance de ver os rostos humanos feios e bonitos e fazer suas escolhas também. Os resultados foram fascinantes: as galinhas acabaram fazendo um ranking dos rostos bonitos seguindo praticamente a mesma escala que os alunos. Enquanto os cientistas não têm uma explicação sólida para isso, eles sugerem que as preferências sexuais humanas – e também das aves em questão – surgem de “propriedades gerais do sistema nervoso”, o que ajudaria a explicar a correlação.

2. O pão é mais propenso a cair com a manteiga para baixo?

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Quase todo mundo está familiarizado com a chamada “Lei de Murphy”, que determina que qualquer coisa que pode dar errado, vai dar errado. Se há uma única poça na rua, você provavelmente vai pisar de cara nela. Se você pegar uma fila do supermercado, será a mais lenta de todas. Se você derrubar a sua torrada com manteiga, ele vai cair com o lado da manteiga para baixo no chão e deixar uma bagunça desagradável para você limpar. Muitas pessoas, contudo, acreditam que isso acontece porque simplesmente o lado que tem a manteiga fica mais pesado. Mas esse “achismo” não foi suficiente para Robert Matthews, que decidiu colocar a teoria à prova.
Matthews, que é um cientista britânico e jornalista, assumiu como missão de sua vida provar que a Lei de Murphy existe, pelo menos quando aplicada ao caso da torrada. Em 1996, então, ele publicou um artigo teórico sobre o assunto, o que lhe valeu um Prêmio Ig Nobel. Mas foi só quatro anos depois, no ano 2000, que Matthews teve a chance de testar sua teoria no mundo real. Em uma série de experimentos, crianças em idade escolar em todo o Reino Unido foram convidadas a derrubar pedaços de pão no chão e registrar a forma como caíam. Depois de cerca de 10.000 pães jogados no chão, os resultados foram computados e, em 62% dos casos, o pão acaba com a manteiga de cara para o chão – um resultado significativamente maior do que poderia ser explicado pelo acaso. E, aparente e surpreendentemente, a manteiga tinha pouca parcela de culpa na causa deste fenômeno. Outros testes, realizados na torrada sem manteiga, mostraram que a altura da mesa tem um impacto muito maior sobre a forma como a fatia de pão cai. Apenas em alturas superiores a 2,4 metros o pão começar a cair em ambos os lados da mesma forma. Por quê? Porque quando o pão cai de uma altura menor, muitas vezes não tem oportunidade de fazer uma rotação completa antes de atingir o chão. Assim, é a altura padrão das nossas mesas, ao invés da manteiga, a verdadeira culpada em fazer com que a Lei de Murphy seja uma realidade.

1. Tropas de guerra tem mais chances de ter prisão de ventre quando estão em combate?

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Tropas que estão em campo de combate geralmente estão sob muita pressão. Os soldados devem permanecer em constante estado de alerta em caso de uma emergência real. Com base nisso, pesquisas mostram que, aparentemente, suas entranhas ficam sob bastante pressão também.
O que motivou esse estudo não é bem explicado, mas, em 1993, uma espécie de questionário intestinal foi apresentada para 500 marinheiros e fuzileiros navais implantados a bordo do USS Iwo Jima LPH 2. Os soldados tiveram que manter o controle de suas respectivas atividades intestinais e preencher o questionário de acordo com elas. O objetivo foi estabelecer se a constipação intestinal ocorria com mais frequência enquanto os soldados estavam longe de casa e em combate no campo.
Provando que eles levaram muito a sério esse estudo, os pesquisadores ainda utilizaram duas definições diferentes de constipação: completa falta de evacuações por mais de três dias ou fezes acompanhadas de dores no reto.
Então, qual foi a conclusão?
Soldados são de fato muito mais propensos a ter problemas de prisão de ventre enquanto estão em campo – cerca de cinco vezes mais chances, na verdade.
Se podemos aprender alguma coisa com este estudo, é que os laxantes deve ser equipamento obrigatório para todos os soldados.