domingo, 14 de junho de 2015


10 tratamentos e estudos 
Doentios feitos em humanos
Ao longo da história, muitos médicos, em sua busca por ampliar o conhecimento a respeito de doenças e curas, sacrificaram a saúde e o bem-estar de outras pessoas. Conheça dez casos perturbadores de experimentos conduzidos com seres humanos:

10. Cirurgia para tratar insanidade

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Por acreditar que distúrbios psicológicos eram causados por infecções no corpo, o médico Henry Cotton decidiu “tratar” pacientes de um sanatório em Trenton (EUA) usando cirurgias – com ou sem o consentimento deles –, no começo do século 20.
Normalmente, ele retirava dentes e amígdalas (ou “tonsilas”, para ser mais exato) primeiro. Se o problema persistisse, ele extraía órgãos internos.
Crente de que seu método funcionava, Cotton usou em si mesmo e em sua família para combater infecções locais (um de seus filhos, inclusive, teve parte do intestino removida).
Ele alegava que o índice de sucesso do tratamento era elevado, mesmo que tenha causado dezenas de mortes ao longo dos anos.
Em sua defesa, podemos dizer que a intenção era nobre – o método, porém, passava longe disso.

9. Cirurgia vaginal… sem anestesia

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Para tratar fístula vesicovaginal, o cirurgião J. Marion Sims realizou experimentos em escravas afro-americanas na década de 1840. O problema é que as cirurgias eram feitas sem anestesia, e em vários casos era preciso refazer o procedimento diversas vezes (30, no caso de uma paciente chamada Anarcha).
Sims foi um pioneiro na ginecologia nos Estados Unidos, mas sua fama foi ganha às custas da saúde de incontáveis mulheres.

8. Peste bubônica “acidental”

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A ideia de realizar testes em prisioneiros é mais antiga do que alguns ativistas imaginam: na década de 1900, o médico Richard Strong usou detentos de uma prisão em Manila (Filipinas) como cobaias para desenvolver uma vacina contra cólera.
Em 1906, ele acidentalmente inoculou a bactéria que causa peste bubônica nos presos. Por causa disso, 13 deles morreram.
Depois disso, Strong interrompeu seus experimentos por seis anos. Quando voltou à ativa, usou detentos para realizar pesquisas com béri-béri. Vários morreram, e os que sobreviveram foram recompensados com alguns maços de cigarros.

7. Água fervendo x pneumonia

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O médico Walter Jones acreditava que era possível usar água fervente para tratar pneumonia. Durante a década de 1840, ele testou esse tratamento (que, como vocês verão, se assemelhava muito a uma forma de tortura) em escravos, que ficavam deitados de barriga para baixo enquanto outros despejavam água fervente sobre suas costas. A ideia de Jones era “re-estabelecer a circulação dos vasos capilares”.
Ele dizia que o tratamento era bastante eficaz – algo que nunca foi confirmado por fontes independentes.

6. Corrente elétrica no cérebro

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Mary Rafferty tinha uma úlcera em seu crânio, tão profunda que era possível ver parte de seu cérebro. Na esperança de curar o ferimento, ela optou por um tratamento em 1847 ministrado pelo médico Roberts Bartholow.
Ele introduziu eletrodos no cérebro da paciente e aplicou correntes elétricas variáveis oito vezes, ao longo de quatro dias. No início, tudo parecia bem. No final do tratamento, contudo, Mary entrou em coma e morreu pouco tempo depois.
Bartholow, por sua vez, desistiu dessa pesquisa e se tornou professor no Jefferson Medical College (EUA).

5. Transplante de testículos

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De acordo com uma estranha teoria defendida pelo médico Leo Stanley, homens que cometiam crimes teriam baixos níveis de testosterona e, se esse quadro fosse revertido, eles deixariam de ser criminosos.
Seguindo essa lógica, Stanley extraía os testículos de prisioneiros executados e os transplantava em prisioneiros vivos. Na falta de testículos humanos (havia poucas execuções na prisão que ele chefiava), ele extraía de animais, transformava o órgão em líquido e injetava sob a pele de detentos.
Até 1922, ele teria realizado esse procedimento em mais de 600 prisioneiros – entre eles, um branco que, supostamente, se tornou mais “disposto” depois de implantarem os testículos de um africano nele.

4. Terapia de choque e LSD para crianças

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Famosa por ter desenvolvido o teste de Bender-Gestalt (que avalia as capacidades físicas e motoras de crianças), a psiquiatra Lauretta Bender tem um lado sombrio em sua carreira: na década de 1940, quando trabalhava no Hospital de Bellevue (EUA), ela usava terapia de choque em crianças para tratar “esquizofrenia infantil”.
Não bastasse isso, ela ministrava alucinógenos como LSD a seus pequenos pacientes, também na esperança de reverter problemas psiquiátricos.

3. Experimentos com sífilis

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Em 1946, uma organização de saúde pagou prostitutas na Guatemala para espalhar sífilis no país, transmitindo a doença a mais de 1,3 mil pessoas – das quais pelo menos 84 morreram e muitas outras tiveram sequelas. A ideia era descobrir se a penicilina seria um medicamento eficaz para combater a doença. O caso só veio à tona recentemente, em 2010.

2. Experimento de enrijecimento de pele

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Patrocinado pelo exército dos Estados Unidos, o dermatologista Albert Kligman realizou diversos testes em detentos da Prisão de Holmesburg (EUA) na década de 1960, com o objetivo principal de encontrar métodos para enrijecer a pele humana – algo que, teoricamente, protegeria soldados contra substâncias químicas lançadas nos campos de batalha. O projeto não teve sucesso, e grande parte dos participantes ficou com sequelas na pele.
Kligman também realizou testes a pedido de empresas farmacêuticas e, embora os presos fossem “voluntários”, eles não eram informados sobre todas as possíveis consequências dos testes.
Ao visitar a prisão pela primeira vez, Kligman teria dito que tudo o que viu foi “meros acres de pele”.

1. Punções lombares em crianças

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Enquanto realizava um procedimento de punção lombar (no qual se introduz agulhas na coluna da pessoa) em 1896, o pediatra Arthur Wentworth notou que sua paciente, uma menina, se contorcia de dor. Ficou surpreso, pois naquela época se acreditava que essa técnica era indolor. Para ter certeza, ele repetiu o procedimento… em 29 crianças e bebês.
Wentworth concluiu que essas punções poderiam ajudar no diagnóstico de certas doenças, mas foi duramente criticado pela opinião pública, por conta da crueldade do estudo.