domingo, 28 de junho de 2015


11 fatos estranhos 
Sobre a maconha
A maconha, a droga ilícita mais consumida no Brasil, tem sido bastante discutida. Agora legal para uso recreativo em alguns estados dos Estados Unidos e com outros lugares permitindo seu uso medicinal, campanhas para a descriminalização da erva estão acontecendo por toda parte.
Mesmo assim, ainda há muito a saber sobre ela e os seus efeitos estranhos. Como exatamente você fica chapado? Quem descobriu os efeitos do fumo da planta? Veja estes e outros fatos curiosos abaixo.

1. Origens míticas

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A geração hippie não descobriu a maconha. Mas as verdadeiras origens da droga continuam a ser um pouco sombrias.
Por exemplo, uma fonte, o Drug Enforcement Administration Museum (museu do órgão responsável pelo controle das drogas, em Arlington, Virginia), prevê que as referências escritas mais antigas referentes à cannabis datam de 2727 aC, quando o imperador chinês Shen Nung supostamente descobriu a substância e a usou medicinalmente.
Mas há um problema com este suposto fato: Shen Nung, se existiu, não foi imperador da China. O primeiro imperador da China unificada foi Qin Shi Huang, que nasceu por volta de 260 aC – significativamente mais tarde do que o suposto Shen Nung. Também não é totalmente claro onde ou como este Shen Nung registrou suas experiências com a maconha medicinal. Os primeiros exemplos de caracteres chineses escritos datam da dinastia Shang, entre 1200 aC e 1050 aC, quando oráculos esculpiram símbolos em ossos e cascos de tartaruga. Embora a história de Shen Nung permeie contos online, a sua existência parece ser mais mito do que fato.
Ainda assim, os chineses merecem algum crédito. Os antigos taiwaneses usavam fibras de cânhamo para decorar a cerâmica cerca de 10 mil anos atrás, de acordo com o livro “A Arqueologia da China Antiga”.
Mesmo assim, a identidade da primeira pessoa a descobrir os efeitos intoxicantes do maconha está perdida na pré-história.

2. Maneiras estranhas para usar cânhamo

A planta da maconha não é usada apenas para fumar; suas fibras também podem ser transformadas em corda ou tecido. Talvez o uso mais estranho de corda de cânhamo já registrado é como um método para o transporte de estátuas de pedra gigantes. Em 2012, arqueólogos criaram reproduções de estátuas da Ilha de Páscoa, tentando descobrir como as pessoas da antiguidade podem ter movido as icônicas cabeças de 4,35 toneladas. Os teóricos já sugeriram tudo, desde rolos de madeira até ajuda extraterrestre para completar a tarefa, mas o arqueólogo Carl Lipo, da Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach, provou que tudo o que era necessário eram cordas de cânhamo.
Amarrando três cordas de cânhamo na estátua e com uma equipe de 18 pessoas, as esculturas foram balançadas para trás e para a frente até que “andassem”. Lipo e sua equipe conseguiram mover os pedaços de pedra por 100 metros em menos de uma hora, de acordo com o relatado na revista “Journal of Archaeological Science”. Segundo os pesquisadores, os habitantes da ilha teriam arbustos lenhosos semelhantes a plantas de maconha para usarem na fabricação de cordas.
Veja um trecho da “caminhada” no vídeo abaixo:

3. Cânhamo e maconha

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Qual é a diferença entre cânhamo e maconha, afinal? Um único regulador de expressão gênico. Em 2011, pesquisadores da Universidade de Saskatchewan anunciaram que tinham descoberto a alteração genética que permite que plantas de cannabis psicoativas (Cannabis sativa) deixem os usuários “chapados” (em comparação com plantas de cânhamo industrial, que não trazem divertimento algum ao serem fumadas).
Plantas de cânhamo industrial são da mesma espécie que plantas de maconha, mas não produzem uma substância chamada ácido tetrahidrocanabinólico (THCA). Este é o precursor do tetra-hidrocanabinol (THC), o ingrediente psicoativo da maconha. Segundo o bioqímico Jon Page, plantas de cânhamo deixam de produzir essa substância porque elas não têm um gene que produz uma enzima para fazer o THCA.
Em contraste, plantas de maconha produzem THCA, mas não criam muito de uma substância chamada ácido canabidióico (CBDA), que ocorre em abundância no cânhamo. Assim, o cânhamo é rico em não psicoativos CBDA, enquanto a maconha é repleta do alucinante THC.

4. Diferença de gênero

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Fumar pode ser uma experiência muito diferente para homens e mulheres, de acordo com um estudo publicado em 2014 em “Drug and Alcohol Dependence”. Em uma pesquisa com ratos de laboratório, a psicóloga Rebecca Craft, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, descobriu que as fêmeas eram mais sensíveis às qualidades analgésicas da cannabis, mas também eram mais propensas a desenvolver uma tolerância para a droga, o que poderia contribuir para os efeitos colaterais negativos e dependência de maconha.
Os níveis mais elevados do hormônio estrogênio parecem desempenhar um papel nestes efeitos específicos do sexo feminino. Segundo Rebecca, ratas são mais sensíveis aos efeitos da cannabis na ovulação, quando os níveis de estrogênio são mais elevados.

5. Maconha para seus animais de estimação?

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As pessoas têm usado a maconha medicinal para aliviar tudo, de glaucoma aos efeitos colaterais da quimioterapia. Então, por que o melhor amigo do homem não pode ganhar um pouco, para fins medicinais?
De acordo com um artigo publicado em 2013 no “Journal of the American Veterinary Medical Association”, donos de animais já estão usando maconha medicinal para ajudar seus gatos e cães que sofrem. Na maioria das vezes, os animais que ingerem maconha superam os efeitos dentro de algumas horas, dizem os veterinários. Mas cuidado! Em grandes quantidades, a maconha pode ser mortal para os animais.

6. Seu coração odeia maconha?

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A maior parte do debate sobre os efeitos da maconha na saúde foca nas mudanças cerebrais que podem vir com o uso da droga, como a associação da droga com um risco aumentado de desenvolvimento de esquizofrenia e outros transtornos psicóticos. Mas será que “fumar um” também pode bagunçar o seu coração?
Em um estudo de abril de 2014, pesquisadores analisaram 2 mil casos de complicações médicas relacionadas à maconha na França e descobriram que 2% deles envolviam problemas cardíacos, incluindo nove ataques fatais. O estudo não foi projetado para determinar por que o uso da maconha pode, ocasionalmente, levar a problemas cardíacos, mas pesquisas anteriores descobriram que a maconha pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, o que poderia deixar um indivíduo vulnerável mais próximo de um ataque cardíaco.
“A percepção é de que a maconha é uma droga mágica, que é totalmente segura, e nós podemos usá-la em tratamentos médicos. O que não sabemos são os efeitos negativos, os potenciais danos”, aponta Suzanne Steinbaum, cardiologista do Lenox Hill Hospital, em Nova York, que não estava envolvida no estudo.

7. Nomes com tradições

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Um amante do vinho pode escolher entre uma variedade pinot noir, um sangiovese e um viognier para combinar com seu jantar. Um conhecedor de maconha, por outro lado, poderia escolher entre linhagens com nomes como “neblina roxa”, “chocolope” e “crack verde”.
Nomes bizarros são uma antiga tradição entre os cultivadores de maconha, que remonta pelo menos a década de 1970, quando cepas como “Maui Waui” (do Havaí, naturalmente) entraram em cena. Por que tais nomes bestas? Bem, uma razão pode ser o processo por trás das decisões de nomeação.
Sim, a explicação é exatamente aquela que você está pensando. “Muitas vezes nós finalmente chegamos ao fim de uma estirpe, e está ali, pronta, e ficamos, ‘Do que podemos chamá-la?'”, conta um dos co-proprietários da DNA Genetics, um banco de sementes de cannabis de Amsterdã. “E nós nos sentamos lá, chamamos todos os nossos amigos e fumamos. Isso é uma sessão de brainstorm”. (Fica a dúvida do que as pessoas fazem quando resolvem escolher nomes de cores de esmalte como “Azulcrination” e “Marshmallow de alfazema”).

8. Está no ar

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Há certos lugares onde é de se esperar uma névoa de fumaça de maconha: show do Planet Hemp, por exemplo, ou marchas pela legalização da maconha. Mas nas ruas de Roma?
Sim, de acordo com um estudo de 2012 feito na Itália, vestígios de maconha estão flutuando no ar ao redor do Coliseu e do Panteão, bem como em sete outras cidades italianas. Os cientistas examinaram o ar de Roma, Bolonha, Florença, Milão, Nápoles, Palermo, Turim e Verona em busca de substâncias psicotrópicas, incluindo cocaína, maconha, nicotina e cafeína. Os cientistas encontraram todas estas substâncias em todas as oito cidades, sendo que Turim tem as maiores concentrações totais e Florença e Bolonha têm as maiores concentrações de maconha.
Mas, mesmo em Florença e Bolonha, os turistas não precisam se preocupar em chapar só por andarem nas ruas: os níveis de maconha e outras substâncias eram baixos demais para afetar a saúde humana. Apesar disso, os pesquisadores disseram que esperam que as descobertas possam ser úteis para a política de drogas, ajudando a estimar o consumo das substâncias em cada cidade.

9. O escorregão dos sabonetes para bebê

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Em um caso incomum, um hospital na Carolina do Norte notou um aumento no número de recém-nascidos que estavam testando positivo para maconha em sua urina, uma descoberta que pode sugerir que a mãe havia fumado, ação que pode ser considerada como colocar a criança em risco. Mas acontece que esses bebês não estavam sofrendo por exposição à maconha. Era apenas sabão.
Um estudo realizado em 2012 com os testes positivos descobriu que ingredientes em vários sabonetes comuns para bebês podem causar um falso positivo para maconha em testes de urina. Os sabonetes, incluindo fórmulas de grandes marcas como Johnson & Johnson, CVS e Aveeno, não contêm maconha, nem prejudicam as crianças. De acordo com o estudo publicado na revista “Clinical Biochemistry”, um teste mais sensível pode mostrar que os resultados de rastreio iniciais eram falsos positivos.

10. Maconha não é necessariamente “verde”

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Aqui está uma revelação não muito agradável para os eco-conscientes: maconha não é tão “verde” quanto você pensava. A energia necessária para produzir 1 kg de maconha em estufas é equivalente à necessária para rodar os Estados Unidos cinco vezes em um carro que faz 18,70 quilômetros por litro de gasolina, segundo um relatório de 2011 elaborado por um pesquisador no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley. Todas aquelas luzes necessárias para a fotossíntese consomem muita eletricidade.
O cultivo de plantas ao ar livre poderia diminuir a pegada de carbono da maconha, mas a demanda existente para a droga significa que os produtores industriais mantêm suas plantas em armazéns e estufas. Inovações como estufas equipadas com luzes LED de baixo consumo energético poderiam ajudar a tornar a maconha mais ecologicamente correta, porém, como qualquer agricultura em grande escala, o cultivo de maconha exigirá energia também em grande escala.

11. Maconha versus corujas?

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O cultivo ao ar livre também têm as suas desvantagens – particularmente nas parcelas ilegais de plantações de maconha no hemisfério norte. Ameaçadas de extinção, as corujas manchadas do condado de Mendocino, na Califórnia, são prejudicadas pelo veneno de rato usado por pessoas que cultivam maconha ilegalmente em trechos isolados de terras públicas. Em 2012, duas corujas manchadas que foram encontradas mortas no condado testaram positivo para veneno de rato, assim como os corpos de 85% das martas-pescadoras, uma espécie de mamífero da mesma família das lontras.
Além disso, as pessoas que colhem maconha ilegal também podem ter problemas de saúde. Em junho de 2013, os trabalhadores de um hospital na Albânia relataram um conjunto de doenças relacionadas à maconha, com mais de 700 pacientes tratados em uma aldeia. Trabalhadores perto da aldeia de Lazarat que tiveramcontato prolongado da pele com plantas de cannabis durante a colheita e o empacotamento desenvolveram sintomas como vômitos, dor de estômago e batimentos cardíacos irregulares. Metade da maconha da Albânia é cultivada ilegalmente.