sábado, 13 de junho de 2015


Laureado faz comentários machistas e a Internet responde de forma incrível
machismo
Nesta semana, o vencedor do Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2001, Tim Hunt, teve a brilhante ideia de dizer a uma sala cheia de jornalistas que o problema com “meninas” em laboratórios é que “três coisas acontecem quando elas estão no laboratório: Você se apaixona por elas, elas se apaixonam por você e, quando as criticamos, elas choram”. Hunt diz ser a favor de laboratórios separados por gênero, afirmando que “não quer atrapalhar as mulheres” – o que, se qualquer coisa, nos mostra que machismo não é apenas questão de burrice.
Na sequência, em entrevista à BBC Radio 4, ele afirmou que se arrependia do mal estar causado pelas declarações, mas insistiu que realmente acreditava naquilo e que só estava sendo “honesto”. É, eu sei, tanto machismo não parece real.
Em resposta à reação a seus comentários ridículos, Hunt, que recebeu o Nobel por seu trabalho sobre o papel das moléculas de proteína na divisão celular, pediu demissão de seu cargo de professor honorário da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade College London.
Como não poderia deixar de ser, muita gente ficou indignada com essas afirmações estapafúrdias e cientistas não demoraram em encontrar uma resposta maravilhosa para o caso. Sem se impressionar por seus comentários sexistas, elas tiraram fotos de si mesmas nos seus locais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática e as publicaram no Twitter usando a hashtag #distractinglysexy (meio complicado de traduzir literalmente, mas algo como “distração sexual”) para mostrar exatamente o quão estúpidas são as opiniões de Hunt.
Como bem apontou a jornalista australiana Amy Remeikis, Marie Curie deve ter chorado muito abraçada com seus dois prêmios Nobel.
Tradução: Eu estou realmente feliz que Curie conseguiu parar de chorar para descobrir o rádio e o polônio #distractinglysexy
Veja mais alguns exemplos ótimos de tuítes que provam o quão grande é a necessidade de ter laboratórios separados por gênero para que os homens não sejam distraídos por suas colegas pesquisadoras – só que não.
Tradução: O problema com biólogas marinhas é que acabamos não conseguindo nos concentrar quando estamos molhadas.
Tradução: Ah, não liga, não. Eu só estou pipetando enquanto sou uma distração sexual.
Tradução: Sim, eu sei que sou uma distração sexual no meu equipamento de proteção individual. Esse traje favorece muito minhas curvas.
Tradução: O tópico #distractinglysexy é fenomenal. Aqui estou eu, até os ombros no reto de uma vaca, tão sedutora!
Tradução: A máscara de filtro me protege de produtos químicos perigosos e abafa meu choro feminino. Vitória dupla!
Tradução: Nada como um tubo de ensaio cheio de cocô de guepardo para fazer de você uma distração sexual.
Tradução: É realmente muito difícil trabalhar em um laboratório coeducacional porque eu sou uma distração muito grande para os cientistas do sexo masculino.
Tradução: Ainda sou uma distração sexual depois de um dia cheio de cultura de células. Nem chorei dessa vez, estou tão orgulhosa!
Em tempo, estudos psicológicos descobriram que, em média, as mulheres choram de duas a cinco vezes por mês, ou três a cinco vezes mais frequentemente do que os homens, de acordo com uma pesquisa relatada pelos psicólogos Ivan Nyklicek, Lydia Temoshok e Ad Vingerhoets, todos da Universidade de Tilburg, na Holanda, no livro “Expressão emocional e Saúde”, de 2004. A discrepância choro é prevalente, independentemente de país, mas nada tem a ver com dificuldade em lidar com críticas. Segundo os pesquisadores, os números indicam diferentes sinais hormonais, embora alguns países tenham um intervalo maior do que outros, apontando também para efeitos culturais.
Fica a torcida para que muitas pessoas possam aprender com o erro de Tim Hunt e no futuro, no mínimo, não percam uma oportunidade de ficar caladas.