domingo, 7 de junho de 2015

Mika  divulga o clipe de "Good Guys"

Mika letras




















Seguindo com a divulgação de "No Place In Heaven", o cantor Mika revelou mais um clipe do álbum nesta segunda-feira (25). 

A escolhida da vez foi "Good Guys", que ganhou uma produção relativamente simples, com o britânico interagindo com um grupo de dançarinos modernos dentro de um imenso galpão. 

"No Place In Heaven" é o primeiro trabalho do músico em três anos e será composto por 14 canções, entre elas as já divulgadas "Talk About You" e "Last Party". O disco será lançado oficialmente no dia 16 de junho, mas já pode ser adquirido em pré-venda no site oficial do cantor e também no iTunes.



A nova música do cantor Mika “Good Guys” fala exatamente da dúvida que todos nós temos  Onde estão os gays? E mais ainda, onde estão os gays bonitos, com glamour e inteligentes?
 
A música do Mika surgiu quando ele, em pré-produção do seu quarto álbum, se reuniu com a nata criativa do Pop mundial e percebeu que os gays, ao contrário do passado de glamour, agora se contentam em ficar nos bastidores. Se contentam em serem discretos e não querem saber de rótulos. Apesar da rotina de academia e dos aplicativos de caça bombando, onde estão os gays geniais e famosos em seu tempo como James Dean, David Bowie, Wilfred Owen, Walt Whitman, Andy Warhol, entre outros que serviram de espelho aos gays nascidos depois dos anos 80?
 
A nova geração que frequenta as ditas baladas alternativas, onde toca-se Mika e se bebe até cair, não quer saber de militância, em partes está satisfeita com o mundo do jeito que está e até concorda com conservadores. Gays agora não podem se mostrar gays, beijo na rua, andar de mão dadas, isso é coisa de militante gay, ou gayzistas, como repetem os conservadores brasileiros, os mesmos que agora irão tentar barrar o afeto homossexual na mídia, que fazem gritaria quando uma marca de perfume coloca casais gays no comercial de dia dos namorados. E se tivesse beijos homo no comercial, será que a nova geração de gays conservadores acharia uma provocação desnecessária e estaria do lado dos homofóbicos?
 
Vivemos tempos estranhos. “Se estamos todos na sarjeta”, diz a música de Mika, “isso não muda quem somos”, continua a música. Ao menos não deveria. Nos anos 80, depois do surgimento da Aids, foi difícil reestabelecer o movimento do orgulho de ser gay, com as gigantescas paradas dos anos 90, mas nos últimos anos há uma nova corrente contra esse movimento, somada de uma falsa sensação de aceitação e falta de entendimento de que as conquistas não estão garantidas. Ainda, na maior parte do planeta, gays são vitimas de homofobia diariamente e penalizados pelo Estado com prisão e pena de morte.
 
“Orgulho do quê?” perguntam alguns apontando o dedo para a parcela da comunidade da qual se acha diferente, física e moralmente e em aspectos comportamentais.  Os gays hoje não precisam lutar, não precisam ter medo, não precisam mais conviver com outros gays. A homofobia é tão forte dentro da comunidade pois se repete o preconceito da sociedade onde o outro é menosprezado por ser “mais gay”. Salvo um raro ativismo virtual, os gays não se unem, não falam a mesma língua, cada um tem um discurso diferente, não há unidade ao rebater a bem organizada sociedade homofóbica que vivemos. Tão organizada que seduz muitos gays com gotas de dignidade, esmolas emocionais, sucesso profissional, e estes se vendem facilmente.
 
O gay ao qual Mika se refere, é um ser em extinção. Ao absorver parte das demandas da comunidade, a própria sociedade prega que não é mais necessário protestar. Ser gay não é mais importante, é apenas parte do indivíduo, como ser canhoto ou sua profissão. Não e não e não. Não podemos aceitar este discurso. Como disse Tim Cook, presidente da Apple, que tardiamente saiu do armário no ano passado: “Ser gay fez eu ser quem eu sou” e é isso que precisamos fazer entender. Ser gay é mais do que sua orientação sexual. Ser gay é identidade, não tem a ver com sexo. E estão destruindo a identidade da comunidade que não entende e não apóia a união.
 
Ser gay é saber que o preconceito te ronda 24h, é ser feliz sabendo que os outros olharão torto e nem por isso você vai deixar de ser você. É encarar o preconceito no trabalho ao invés de se esconder. Saber que não existe um botão de desliga e que ser gay não é ser tarado e nem pervertido, é ser livre, de uma forma que poucos entendem ou acreditam poder existir. Ser gay é resistência, em respeito as conquistas do passado e pela importância de se lutar pelo futuro. É entender que você desafiará a sociedade e quebrará barreiras todos os dias, pelo direito de igualdade, nem mais nem menos. Ser gay é não se acomodar e aceitar uma vida apenas para se incluir em padrões sociais onde as pessoas vivem por comodismo e não para serem felizes. Ser gay é não aceitar se esconder para ser aceito. Ser gay, para mim, é isso: É viver e morrer mais perto da liberdade, mesmo que seja uma ilusão.
 
Assista ao clipe de "Good Guys"