terça-feira, 16 de junho de 2015


Quais são as piores 
Maneiras de morrer?
pior jeito de morrer
A morte é a única certeza da vida. Sabendo disso, muitas pessoas anseiam por uma passagem dessa para melhor que seja rápida e indolor.
Será que isso é possível?
Podemos morrer tranquilamente em idade avançada, durante o sono, em algum dos milhares dias em que planejamos acordar e ter um dia normal. Isso é possível, e acontece. Contudo, nem todo mundo tem essa “sorte”.

Qual é o pior jeito de morrer?

A resposta para essa pergunta é complicada. Cada pessoa teme algo que é muito particular para si, e naturalmente tem um nível de tolerância que pode diferir dos outros. Alguns podem achar que seria terrível ser enterrado vivo, enquanto outros podem achar muito pior que seus pulmões se encham de água, ou que seu órgãos congelem ou peguem fogo.
Alguns outros ainda pensam que a pior morte há de ser ficar agonizando em uma cama de hospital. Muitos podem concordar que tortura é a pior forma de morrer.
Eu obviamente não tenho uma resposta para essa pergunta – na verdade, convenhamos, ninguém tem. Mas tenho a forte impressão de que a maneira mais dolorosa de morrer é logo após uma traição.
Não importa se você vai ser executado em praça pública ou morrer de sede no deserto. Os atentados contra nossos sentimentos costumam doer bem mais e não tem remédio que os cure.
É por isso que tantas histórias da ficção que falam de sobrevivência em algum ponto mencionam uma traição profunda e giram em torno de uma grande revelação. Quem aí já assistiu O Conde de Monte Cristo?

A morte em filmes

Filmes de terror têm retratado essa questão por décadas e de maneira um tanto confusa. O que os criadores de filmes de terror e os espectadores sabem é que a dolorosa morte não é simplesmente uma questão de preferência por ser comido vivo por piranhas famintas em vez de apodrecer com zumbis. Nos filmes, vemos nuances psicológicas que sugerem que a morte mais dolorosa não é uma morte do corpo, mas sim de algo que poderíamos chamar de alma.
Por exemplo, o filme de terror francês “Os Olhos Sem Rosto” (SPOILERS a seguir!), de 1960, apresenta-nos Christiane, uma linda jovem cujo rosto foi terrivelmente desfigurado em um acidente de carro. Ela, então, veste uma máscara branca sem expressão para esconder as feridas.
Seu pai, um brilhante cirurgião plástico, que em última análise é o maníaco que causou o acidente de sua filha, insiste que irá restaurar seu rosto. Tudo o que ele precisa para isso é de uma jovem mulher com características semelhantes cujo rosto ele pode remover cirurgicamente para enxertar em sua filha.
Em um primeiro momento, Christiane está tão desesperada para ter seu rosto de volta que concorda que o pai continue fazendo experimentos cirúrgicos cruéis em pessoas que não tem nada a ver com a história. Então, ao perceber que os cadáveres estão se multiplicando a cada dia e que as jovens são forçadas a sofrer e morrer por ela, Christiane resolve se rebelar contra o pai.
Na conclusão do filme, com seu pai dilacerado pelos cães que tinha usado como testes para suas cirurgias humanas, Christiane vagueia em uma floresta escura e sozinha. Ela está finalmente livre, mas sua alma está morta. O sentimento que nos resta é uma assombração de angústia – já que Christiane testemunhou algo pior que a morte e pagou o preço em dor. Por sua vez, nos tornamos suas testemunhas e compartilhamos de um sentimento de tristeza – ou até compaixão – pela história da personagem. (FIM DO SPOILER!).
Em resumo, há todos os tipos de cenários horríveis para a morte, mas alguns que não parecem tão macabros logo de cara podem se revelar bastante dolorosos também.

Tirar uma vida já tirada

Infelizmente, nós testemunhamos mortes “de alta tecnologia” nas unidades de terapia intensiva em todas as partes do mundo desenvolvido. Este cenário consiste em desligar aparelhos que estão mantendo uma pessoa “viva”. Ou mantê-los ligados para prolongar a experiência e o sofrimento de quem não tem mais esperanças de voltar “ao normal”.
Pode parecer que sou à favor do desligamento dos aparelhos, mas, em casos que a pessoa não tem mais volta, nem eu nem muita gente se sente no direito de julgar qual é a decisão correta. É simplesmente emocionalmente doloroso demais tentar entender todas as variáveis que estão em jogo e se responsabilizar pela vida de outra pessoa. A escolha pode enlouquecer qualquer um, e os mecanismos de defesa psicológicos são intratáveis.
A solução para esta tragédia virá apenas e somente da nossa capacidade como sociedade de aceitar a nossa própria mortalidade.
O problema todo não é a morte em si. Pois, como falei no início, ela é inevitável. O problema é a negação da morte.
A solução, então, é enfrentar essa realidade de olhos bem abertos, com coragem e serenidade. Se é que isso é possível.