domingo, 6 de setembro de 2015

Edward Snowden, um analista de defesa dos EUA, revelou um dos principais programas de vigilância secretos norte-americanos, visto nesta imagem tirada de um vídeo durante uma entrevista, em seu quarto de hotel em Hong Kong
"Quando me perguntam onde moro, a resposta mais honesta é 'na internet'", disse Snowden

Snowden critica Rússia,

Para onde diz que nunca pretendeu ir

Ex-analista de informática, cuja prisão é pedida pelos Estados Unidos, diz que controle da internet pelo governo russo é "revoltante"

O americano Edward Snowden criticou neste sábado as restrições à liberdade de expressão na Rússia, país onde está refugiado há dois anos e para o qual, segundo ele, nunca teve a intenção de ir.
O ex-analista de informática, cuja prisão é pedida pelos Estados Unidos por ter revelado a extensão dos programas de vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional (NSA), fez os comentários por videoconferência ao receber o prêmio Prêmio Bjornson para a liberdade expressão, em Molde, na Noruega.
Questionado sobre a situação dos direitos humanos, em especial sobre o controle da internet por parte das autoridades russas, Snowden se mostrou pessimista. "É decepcionante, revoltante", declarou.
"Esta decisão do governo russo de controlar cada vez mais a internet e o que as pessoas veem, e até mesmo a privacidade de algumas, para decidir qual é a maneira certa ou não de expressar seu amor um pelo outro, não só está fundamentalmente errado como não é o papel de nenhum governo", afirmou.
Snowden também disse que não escolheu viver na Rússia. "Nunca tive a intenção de ir para a Rússia, esse nunca foi meu plano. Eu estava apenas em trânsito, rumo à América Latina. Infelizmente meu passaporte foi congelado, anulado pelos Estados Unidos".
"Pedi asilo em 21 países (...) e todos ficaram em silêncio", se recusando a analisar o pedido porque não foi apresentado em seu território, contou o americano. "Na verdade, a Rússia foi um dos últimos países onde fiz meu pedido".
Snoeden diz ter "uma vida normal". "Claro que eu preferiria viver no meu país, mas o exílio é o exílio", disse. Ao ser perguntado se tem liberdade de expressão, respondeu que sim. "E penso que isso se deve em grande parte a minhas atividades na internet. Quero dizer que quando me perguntam onde moro, a resposta mais honesta é: na internet."