sábado, 10 de outubro de 2015

Publishing contract

5 COISAS QUE VOCÊ PRECISA PENSAR ANTES DE PUBLICAR O SEU LIVRO!


Oi, pessoal! Sinto muito pelo hiatus de uma semana. Eu estava pensando no que escrever. Tenho certeza de que todo mundo aqui já passou por isso né?
Enfim, pensando sobre o que falar no post de hoje, percebi que venho falando muito sobre o processo criativo e pouco sobre o de publicação, que é o que geralmente interessa a galera. E aí pensei, why not? e aqui estamos.
Fiquei pensando em como abordar o tema publicação, porque a meu ver, ele é um pouco complicado. Ironicamente, considero-o complicado por ser simples demais; a publicação hoje em dia está tão acessível, mas tão acessível, que pessoas cujos textos não estão prontos pra esse novo passo acabam tomando-o no desespero de terem alguma coisa publicada. E não digo isso com o intuito de julgar ninguém: comigo foi assim. Quando olho pros meus primeiros livros hoje, percebo que eles simplesmente não estavam prontos, e que eu deveria ter respeitado isso, em vez de simplesmente sair por aí publicando qualquer coisa.
Então decidi que, ao invés de falar sobre como publicar, ia focar esse post em por que não publicar. Ou melhor, coisas que você precisa pensar antes de publicar.
Por mais simples que a matemática da publicação pareça, não é simplesmente publicar + vender = alegria. Na verdade, está mais para publicar + ralar + sofrer prejuízo + conseguir uma ou duas vendas = aleluia. Pra quem pretende começar pequeno, ou seja, com sua publicação independente, o mundo não são flores e a perspectiva não é das melhores. De novo, não é pra desanimar ninguém – é simplesmente jogando a real.
Então antes de correr pra gráfica mais próxima, pense nas seguintes questões:
Marshall
1) Seu livro está pronto pra isso?
Se você acabou de escrever, passou por no máximo uma revisão e teve zero leitores críticos (críticos de verdade, ou seja, amigos não contam), então a resposta é não. Por experiência própria, acho que nada é pior do que você publicar um livro achando que ele é top, e aí depois de um tempo você reler (ou pior, outra pessoa ler) e cjhegar à conclusão de que, na verdade, é uma porcaria. Porque uma vez publicado, por mais que você tire de circulação, ele sempre será publicado. É uma marca sua enquanto escritor, e pessoas vão te julgar por ela. Reflita sobre como você, enquanto leitor, reagiria àquela obra, e saiba que nenhum livro fica pronto antes de um trabalho pesado.
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2) Você tem algo novo a dizer?
Não acredito em 100% de originalidade, porque acho que isso não existe. Pra mim, todas as histórias já foram contadas – mas isso não significa que não exista algum jeito de inovar. Se você faz parte do time que escreve sobre o que quer que esteja na moda, sem qualquer critério básico sobre o que forma uma história realmente interessante, então talvez esse seu projeto não deva ser publicado. Por que vou ler o seu livro sobre vampiros adolescentes que se apaixonam se já existe pelo menos uns 30 livros exatamente iguais no mercado? O que você tem a me oferecer de diferente? Compare seu livro com outros do mesmo gênero e seja realista: você está nos oferecendo algo novo, ou simplesmente um reboot de algo que já foi visto milhares de vezes? Todo mundo gosta de ler coisas diferentes. Não precisa fazer uma coisa totalmente inovadora; basta que o seu trabalho não me lembre de todos os outros que eu já li.
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3) Você tem público pra isso?
Pode parecer uma coisa doida, afinal, a ordem não é publicar -> formar público? Bom, talvez. Mas a verdade é que ter uma pequena legião de pessoas que acompanham seu trabalho antes da publicação ajuda muito na póspublicação. É só olhar o exemplo de alguns autores que já tinham público antes de virarem autores publicados: Babi Dewet, Bruna Vieira, Danilo Leonardi. Claro, atingir o status de celebridade cibernética é difícil, e não vim aqui falar que você só pode fazer sucesso lá fora se fizer sucesso aqui dentro – balela total. Mas dar-se ao trabalho de gastar algum tempo postando coisas na internet (trabalhos antigos que você não pretenda publicar, talvez, ou mesmo amostras do seu livro ou contos) ajuda na formação de um público. As pessoas terão acesso gratuito (palavra mágica) ao seu trabalho e poderão julgar o quanto você é capaz. Quem adorar seu trabalho é quem, lá na frente, fará a diferença entre você estrear no mundo da publicação vendendo dois ou duzentos livros. Esse público pré-formado ajuda no boca a boca, e vai facilitar horrores sua experiência como autor de primeira viagem.
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4) Você conhece outras pessoas do meio?
Como em dezenas de outras áreas, no ramo editorial a gente também precisa de network – isso é, conhecer gente. E não estou falando só de autores não. Conheça editores, capistas, diagramadores, revisores, preparadores de texto. Todo profissional é importante, e são eles que te ajudam a alcançar os patamares mais altos. Isso porque, além de você conhecer pessoas com quem pode conversar mais tarde para negociar serviços, você também pode trocar ideias e, principalmente, experiências. Nada melhor do que bater um papo com alguém que sabe o que você está passando, que conhece o mercado onde você está tentando entrar. Frequente eventos, apresente-se, troque cartões de visita. Todo mundo importa.
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5) Você está preparado para investir nisso?
Psicológica e financeiramente, publicação exige um bocado. Você está pronto pra se tornar um escritor profissional? Está pronto pra enfrentar viagens longas pra eventos onde, muito provavelmente, você não venderá quase nenhum livro? Está pronto pra passar horas apresentando seu livro pra pessoas, e ficar feliz por distribuir marcadores? Está pronto pra ser criticado, pra ter seu trabalho julgado, pra ter gente não gostando do que você escreveu? Está pronto pra se jogar, de cabeça e de coração nisso, pra investir seu tempo e todas as suas economias, e pra se acostumar aos passinhos lentos em que as coisas às vezes acontecem? Se a resposta for sim, meu amigo, então vai. Se não, não custa nada esperar um pouco.